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Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2026
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Deus desconstrói sonhos para escrever histórias

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Ap. Mário Alberto Nuntius
Por Ap. Mário Alberto Nuntius
Deus desconstrói sonhos para escrever histórias
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Vivemos em uma era que transformou o sonho em obrigação. Sonhar virou sinônimo de sucesso, e não sonhar passou a ser visto quase como fracasso pessoal. O problema é que, na pressa por projetar o futuro, muitos passaram a confundir direção com desejo, e propósito com ansiedade. A sabedoria bíblica já advertia sobre isso muito antes da cultura da performance: “Das muitas ocupações brotam sonhos; do muito falar nasce a prosa vã do tolo. Em meio a tantos sonhos, absurdos e conversas inúteis, tenha temor de Deus”.

O texto não condena o sonho em si, mas expõe sua origem. Há sonhos que não nascem da revelação, mas do excesso. Excesso de ocupação, de comparação, de expectativa. Quando isso acontece, o sonho deixa de ser um instrumento de Deus e passa a ser apenas um reflexo da inquietação da alma.

A ocupação revela mais do que uma função

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Quando os irmãos de José chegam ao Egito, são apresentados ao faraó. A pergunta que recebem é direta: “Em que vocês trabalham?”. Não é apenas uma formalidade administrativa. Naquele contexto, a resposta definiria onde viveriam, como seriam tratados e qual espaço ocupariam dentro do império.

Eles poderiam ter adaptado o discurso. Poderiam ter amenizado a resposta ou moldado sua identidade ao ambiente egípcio. No entanto, disseram exatamente quem eram: pastores, como seus antepassados. Essa resposta carrega um peso que vai além da profissão. Ela revela posicionamento, pertencimento e fidelidade a uma história.

Na Bíblia, ocupação nunca é neutra. Ela aponta para vocação, para lugar na terra, para como alguém se relaciona com Deus e com o mundo. Ao não negociarem sua identidade, os irmãos de José não apenas responderam uma pergunta — eles afirmaram quem eram diante do poder.

Gósen: quando Deus escolhe a terra certa

A consequência desse posicionamento foi Gósen. O texto bíblico descreve a região como “a melhor terra do Egito” para pastagens. Não era a melhor terra em termos políticos ou culturais, mas era a melhor terra para aquilo que eles eram. Deus não os colocou onde parecia mais atraente, mas onde fazia sentido para sua identidade.

Gósen se tornaria, ao longo da história, mais do que um território. Ali o povo cresceu, ali foi preservado e ali Deus fez distinção clara entre Israel e o Egito durante os juízos. Enquanto o caos se espalhava, Gósen permanecia protegida.

Isso revela um princípio recorrente nas Escrituras: Deus não abençoa a adaptação oportunista, mas honra a fidelidade silenciosa. A terra certa não é a mais desejada, é a mais alinhada.

Caminhos, ciclos e a pedagogia divina

A Bíblia registra trajetos com precisão porque os caminhos também ensinam. Regiões como o Neguebe e Hebrom aparecem repetidamente porque fazem parte da pedagogia de Deus. O Neguebe foi rota de Abraão, caminho do Êxodo, passagem da conquista. Hebrom foi terra de promessas, cidade de refúgio, herança de Calebe e o primeiro trono de Davi.

Nada disso é acidental. Deus conduz pessoas por ciclos específicos para formar estruturas internas antes de entregar destinos maiores. Muitas vezes, o caminho parece longo demais, repetitivo demais ou árido demais. Mas ele está delineando possibilidades futuras que ainda não são visíveis.

Quando olhamos apenas para o sonho, perdemos a leitura do processo. Quando entendemos o processo, o sonho deixa de ser o centro.

Sonhos que nascem da intimidade e sonhos que nascem da alma

Existe uma diferença clara entre sonhos gerados na presença de Deus e sonhos produzidos pela inquietação interior. Sonhos legítimos são fruto de comunhão, de sensibilidade espiritual, de uma vida conduzida pelo Espírito Santo. Eles não precisam ser forçados, nem defendidos com ansiedade.

Já os sonhos da alma costumam ser barulhentos. Exigem validação constante, produzem frustração rápida e raramente sobrevivem ao silêncio. Quando não se realizam, deixam um rastro de amargura.

Por isso, Deus frequentemente intervém não para destruir pessoas, mas para salvar histórias.

Quando Deus interrompe sonhos

Há momentos em que sonhos não acontecem. Projetos são interrompidos, planos bem-intencionados não avançam e expectativas legítimas são frustradas. A leitura apressada chama isso de atraso. A leitura espiritual chama de edição.

Deus não deixa capítulos soltos. Ele escreve com intencionalidade. Às vezes, o sonho precisa morrer para que a história permaneça viva. O problema é que nossa geração se apega tanto ao sonho que não percebe o que Deus está construindo no processo.

Deus não está comprometido com todos os nossos desejos, mas está profundamente comprometido com o destino que Ele mesmo desenhou.

Entre sonhos e histórias

No fim, a questão não é se sonhamos ou não. A questão é quem está escrevendo. Sonhos podem ser desconstruídos. Histórias, quando escritas por Deus, permanecem.

Talvez o tempo que você vive hoje não seja o da realização, mas o da formação. Não o da colheita, mas o do alinhamento. E isso, ainda que silencioso, é tão divino quanto qualquer sonho cumprido.

Seja edificado

Mario Alberto Nuntius

FONTE/CRÉDITOS: Folha Apostólica News
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Ap. Mário Alberto Nuntius

Publicado por:

Ap. Mário Alberto Nuntius

Colunista do Portal de Notícias Evangélica FOLHA APOSTÓLICA NEWS

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